#664 - Estou casada, não morta! (Reflexão)

Caros amigos de chifres,

No post de hoje do nosso Blog Meus Chifres, provoco uma reflexão a partir de uma matéria encontrada no mar da internet, que dá conta de um caminho que estamos trilhando para o bem da nossa sociedade. 

A matéria jornalística, coletada em um blog do município de Ji-Paraná e republicada em outros portais de noticias de Teresina, no Piaui além de Manaus, Amazonas, dá conta de  uma mulher casada que foi flagrada pelo marido em um relacionamento amoroso com o seu próprio primo, em via publica, à luz do dia.

Segundo as reportagens sobre o episódio, o marido teria flagrado Ana, em via pública, em uma situação que confirmou suas suspeitas de infidelidade. Inconformado, ele a abordou e deixou clara sua indignação, afirmando que não aceitava a traição — sobretudo porque o outro homem envolvido era ninguém menos que seu próprio primo.

Ana, porém, não demonstrou constrangimento ou disposição para recuar. Diante da cobrança do marido, respondeu de maneira direta e provocadora, sem rodeios:


“Não aceite. Estou casada, não morta!”

A frase acabou se tornando a síntese de sua postura diante do casamento. Pelo contexto apresentado nas reportagens, Ana já estaria insatisfeita com o relacionamento e cogitava inclusive deixar a casa do marido. A proximidade com o primo dele, portanto, não seria apenas uma aventura passageira, mas poderia representar a possibilidade de iniciar uma nova relação.

O episódio revelava, assim, uma situação ainda mais complexa: enquanto o marido enxergava a infidelidade como uma ruptura inaceitável da relação, Ana parecia encará-la como consequência de uma vida conjugal que, para ela, já não correspondia às suas expectativas. Sua resposta deixava evidente que não pretendia aceitar passivamente as limitações impostas pelo casamento e que, aos seus olhos, continuar casada não significava abrir mão da própria liberdade afetiva.

Mais do que uma discussão sobre uma traição específica, o flagrante expunha o choque entre duas concepções completamente diferentes de casamento: para ele, a união implicava exclusividade; para ela, estar casada não significava estar emocionalmente impedida de buscar aquilo que considerava faltar em sua vida.

Hotwife: o casamento não é uma escritura de posse

“Não aceite. Estou casada, não morta!”

Pronto. Está aí uma frase capaz de fazer muito marido conservador engasgar com o próprio orgulho. Porque talvez o que incomode nessa resposta não seja a suposta traição. O que realmente incomoda é a mulher que não pede desculpas por desejar.

Durante muito tempo, ensinaram ao homem que casamento vinha acompanhado de uma espécie de escritura invisível: a mulher seria dele, seu corpo seria dele, sua sexualidade seria dele e, acima de tudo, nenhum outro homem poderia atravessar a fronteira.

Curiosamente, essa escritura nunca funcionou tão bem no sentido contrário. Homem que pulava a cerca era “garanhão”. Mulher que fazia o mesmo? O julgamento vinha imediatamente. É justamente contra essa velha hipocrisia que a cultura hotwife bate de frente.

Ela não é propriedade. E ponto.

Uma mulher pode amar o marido e continuar sendo dona dos próprios desejos. Pode desejar experiências diferentes, pode sentir atração por outro homem, pode descobrir uma sexualidade que não cabe no manual tradicional do casamento. E pode, inclusive, conversar com o marido sobre isso e construir com ele uma relação que não dependa da velha equação: 

amor + casamento = posse.

É aí que a hotwife deixa de ser apenas uma fantasia sexual e começa a incomodar o conservadorismo. Porque uma mulher sexualmente livre é difícil de controlar. E uma mulher que não precisa esconder seus desejos é ainda mais difícil.

O verdadeiro chifre talvez esteja na cabeça

Existe uma ironia deliciosa nessa história. O marido tradicional acredita que impedir outro homem de tocar sua esposa prova que ele é mais homem. Mas será?

Talvez masculinidade não tenha absolutamente nada a ver com vigiar uma mulher. Talvez o homem realmente seguro seja justamente aquele que consegue olhar para a própria insegurança e perguntar:

“Por que preciso controlar quem
minha mulher deseja para me sentir homem?”

Essa pergunta é muito mais ameaçadora do que qualquer amante. Porque obriga o sujeito a desmontar décadas de condicionamento. O machismo ensinou o homem a competir, enquanto cultura liberal propõe outra coisa: negociar. O machismo ensinou propriedade, enquanto a relação consensualmente aberta nos exige autonomia.

O machismo ensinou que o homem deve mandar. Uma relação cucklod & hotwife saudável exige que ele converse.  E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais revolucionária.

A hotwife não precisa ser “a mulher que trai”

Essa definição é pequena demais. Ela pode ser simplesmente uma mulher que decidiu que sua sexualidade não termina na certidão de casamento. A diferença fundamental está no consentimento. Se existe mentira, existe traição. Se existe acordo entre os parceiros, existe outra configuração de relacionamento, e isso muda tudo.

O marido não está necessariamente sendo enganado. Ele está participando de uma relação cujas regras foram escolhidas pelo casal. Pode haver ciúme? Evidentemente. Pode haver insegurança? Também. Pode ser difícil? Muitas vezes. Mas é exatamente por isso que esse modelo exige algo que o casamento tradicional frequentemente dispensa: conversa franca sobre aquilo que ninguém gosta de admitir: desejo, ciúme, medo, fantasia, liberdade.

E o homem? Bem, o homem também pode tirar a coleira

Talvez essa seja a provocação que mais incomode. A cultura cuckold & hotwife não precisa libertar apenas a mulher. Ela pode libertar o homem da obrigação de ser permanentemente o macho vigilante, o sujeito que não precisa fingir que não sente medo e que pode admitir ciúme sem transformar ciúme em autoridade.

Neste modelo de relação, o homem pode descobrir que o prazer da companheira não diminui seu próprio valor. Ele será liberto quando conseguir abandonar aquela velha ideia infantil de que, se outro homem deseja sua mulher, ele precisa imediatamente competir com ele.

Talvez seja possível simplesmente dizer: 


“Ela é livre. Eu também sou. E nós escolhemos continuar juntos.” 

Isso não é fraqueza. É uma forma diferente de força. A Ana da Reportagem, não pediu autorização ao marido e talvez seja por isso que aquela frase seja tão poderosa.

“Não aceite.”

Não foi “me desculpe”. Não foi “eu prometo que nunca mais”, nem foi “você tem razão”.

Foi praticamente um ultimato filosófico: 

você pode não gostar da minha escolha, mas não pode transformar seu desconforto em lei.

É uma distinção brutal, porque casamento pode criar compromissos, mas não deveria transformar um adulto em propriedade de outro adulto. A mulher não deixa de ter desejos porque colocou uma aliança no dedo. E o homem não precisa transformar o casamento em uma prisão para provar que ama.

Talvez a revolução comece justamente aí

A verdadeira provocação da hotwife não está simplesmente em permitir que uma mulher tenha outros parceiros. Está em perguntar por que isso deveria destruir necessariamente o casamento. Por que amor precisa significar posse? Por que desejo precisa significar culpa?  Por que liberdade feminina deveria terminar diante de uma aliança?

E, principalmente, por que um homem deveria considerar sua masculinidade ameaçada simplesmente porque sua mulher é desejada — ou porque ela também deseja? Talvez a velha masculinidade tenha medo demais. Medo de perder, medo de ser comparado e o mais temido, o medo do julgamento dos outros homens, por deixar de ser “o dono”.

A nova masculinidade pode escolher outro caminho, deve trocar posse por confiança, controle por diálogo, vergonha por honestidade. E, para alguns casais, exclusividade obrigatória por liberdade consensual. No fim, a pergunta mais incômoda talvez não seja se Ana deveria ou não ser uma hotwife.

A pergunta é outra:

quantos casamentos continuam presos a regras que ninguém mais sabe explicar — além de “sempre foi assim”?

Talvez seja exatamente por isso que a mulher que diz “estou casada, não morta” provoque tanto barulho. Ela não está apenas defendendo uma escolha sexual, está lembrando uma coisa que muita gente preferiria esquecer: uma aliança não coloca uma dona no corpo de ninguém.

E quando uma mulher percebe isso, talvez o casamento não seja o fim da sua liberdade. Talvez seja justamente o momento em que ela começa a exigir que a liberdade faça parte dele.

Comentários

  1. Ai Carlos.... pq eu não casei com você?

    Você fez um raio x da minha alma nesse post.

    Você é o homem perfeito... o corno perfeito!!!!

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    1. Sabrina, seu ideal de homem seria ter um corno perfeito, algo como nosso amigo Carlos?

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  2. Rapaz, se eu não fosse casado com uma outra Sabrina da vida, estaria de frente para uma tentação irresistível...rs

    Agradeço pelo elogio querida amiga. E continuo na esperança de que o seu marido seja transformado para o formato de homem que você realmente merece.

    Você é um exemplo como a Ana do texto. Claro que ela vive numa condição socio-cultural que lhe permite dizer "não aceite", o que lhe é impossível dado os negócios e tradição da sua família.

    Mas, como bem sabemos que é impossível esconder tudo nessa vida, podemos imagiar que seus familiares já sabem, ou enxergam a sombra de algo do que você faz e se estão em silêncio, é porque, de alguma forma, concordam com a sua atitude.

    Afinal, quem não se posiciona contra algo, já está à favor! .

    Bjos de corno

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  3. Pancada mesmo... para quem é homem, lidar com tudoi isso é muito dificil.
    Não tenhbo coragem de assumir que fico com tesão todo dia quando chego em casa e penso que minha mulher me traiu com outro homem na minha cama, mesmo sabendo que ela não faz.
    Tenho esse tesão mas não tenho coragem de falar sobre isso com ela e por isso pego mulheres casadas pensando na minha esposa, como se fosse ela com outro, tendo a coragem de me trair.
    Essa excitação me faz ter uma pegada abusrda e gozo feito um louco, levando elas aos melhores orgasmos que tem na vida.
    Mas tudo é em razão de um desejo que acho que tenho e tenho medo de encarar de frente.

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    1. Ou seja, você é o comedor que na verdade sonha em ser o corninho?

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    2. Eu era um desses também, até que a minha namorada (dos posts #01 e #03) apareceu na minha vida e me colocou nessa trilha de onde não quero sair jamais.

      Na época, eu namorava com, ela mais duas, e tinha um excepcional tesão em pegar garotas comprometidas (namorando ou noivas), chegando a pegar mãe de uma delas, só parta chufrar o otário do meu sogro que era um machista escroto (comi a filha e a esposa dele, dentro da casa que o mané bancava).

      Porém, hoje tenho certeza que tudo isso era uma via negativa, uma forma de tentar abafar o meu maior desejo, que no fundo era o de ser corno da minha namorada como fui.

      Pena que não fui homem suficiente na época para me assumir

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    3. Acho que sim amigo. Só não tenho coragem de admitir

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    4. O que lhe falta para ter a coragem?

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  4. Corno da Fernanda
    Acho que depende de cada pessoa.
    Nem todos homem aceita dividir a esposa e a esposa dela gosta dessa "posse" sobre ela.
    É o que a gente chama de Homem Alfa.
    Interessante é que esse homem, não contenta só com a sua esposa, e procura outras fêmeas para comer. E é aí que eu entramos, eu e a Fernanda.

    Eu ao contrário do Homem Alfa, me vejo como um homem beta, e acredito firmemente na Liberdade e Poder Femininos.
    Então, qdo entra o HOMEM ALFA na nossa equação, a minha esposa se sente atraída por ele e eu como marido beta, corno e manso, aceito e facilito tudo para eles:
    O Macho ALFA e a minha Fernanda.
    A a minha esposa vira a biscate, a rapariga dele, para ele voltar para a casa tranquilo para comer a esposa dele, depois de ter comido a minha.

    Amo e acredito nessa relação Social.
    Mulher tem um direito e maturidade para ter seus casos, caso esteja casada com um Corninho Betinha, que libera ela.

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  5. Corno da Fernanda
    Para um marido corno manso, é difícil ter prazer maior do que, qdo a nossa esposa chega do encontro dela, e começa a contar como foi, com detalhes, tipo qtas vezes gozou com o namorado dela, e ela elogiar a pegada e a rola dele...
    É um momento mágico, principalmente se estamos sozinhos com a nossa esposa, ela pede para a gente bate uma punheta enquanto conta.
    A Fernanda qdo queria que eu gozasse era só falar "Gostou né Corninho? Agora goza na punheta para mim... AGORA!!"
    Uau! Era litros de "gozo de corno"como ela falava...

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  6. Aproveitando este post, alguém sabe da Regina Esposa Curiosa? Se está tudo bem com ela? O blog dela parece ter sido excluído e ela nunca mais comentou por aqui.

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    1. Infelizmente, não tenho nenhuma notícia sobre ela.

      Tudo o que sei é que ela passava por algumas crises pessoais que interferiram na saúde mental, a ponto dela suspender a publicação do blog anteriormente.

      Imagino que possa ter tudo alguma recaída e retirou o blog do ar mais uma vez para poder se dedicar ao seu tratamento

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  7. Relendo esse artigo, digo que poucas coisas são tão gostosas, do que a rotina de quando a nossa esposa tem um namorado fixo.
    Por exemplo, amava qdo era noite de encontro, e ela depois de se arrumar, toda maquiada e perfumadas, perguntava se a roupa estava legal ,se o namorado ia gostar, achar ela gostosa,etc..
    Adoro qdo a a gente meio que vira uma "amiga" dela, nessas horas!

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